As bolsas internacionais estão em um pregão um pouco azedo na volta do feriado dos EUA. Essa pequena realização ocorre sem que notícias específicas a motivem. Os juros dos títulos de dez anos voltaram a subir e fizeram o dólar interromper sua jornada de desvalorização global.

Mercados Globais

O destaque no pregão europeu foi o HSBC, que pode enfrentar multas de mais de US$ 1,5 bilhões, por ter possibilitado a evasão fiscal de clientes nos EUA, Bélgica, Argentina, Índia, Espanha e outros lugares, segundo a Bloomberg. As ações da empresa caíram 3,5% em Londres e podem machucar ainda mais o banco com valor de mercado de ₤ 150 bilhões. Veja o gráfico dos juros dos títulos de dez anos dos EUA:
A alta dos juros, de 2,00 % para os atuais 2,90 % deve ficar no radar dos agentes porque implica em um novo equilíbrio macroeconômico. Nesse novo equilíbrio os preços podem mudar, levando a bolsa a um novo patamar.

Brasil

No Brasil, o governo desistiu da reforma da previdência e propôs uma nova agenda para tentar manter elevado o humor do mercado. Nenhuma das medidas é de emenda constitucional, dispensando a maioria de 2/3 do Congresso. Dentre as medidas, estão a independência do Banco Central, a privatização da Eletrobrás e a simplificação da PIS/Cofins. O abandono da reforma da previdência não tem impacto nos preços porque os seus efeitos ocorrem apenas no longo prazo, sinalizando o equilíbrio (se é que ele seja possível!) em algumas gerações.
O fato de que as finanças públicas não sejam afetadas no curto prazo pela reforma, não faz com que mais um adiamento dispare um movimento de vendas irrefreável. As reformas vêm sendo demandadas pelo mercado desde que a Constituição de 1988 foi aprovada, com maior intensidade a partir do governo Collor. É bastante razoável considerar que a sua aprovação em um governo tão breve e frágil seria uma tarefa pouco realista.
De qualquer forma, a nova agenda do mercado, mais leve e mais realista, deve assumir as atenções diárias daqui para a frente. A reforma da previdência, cujo déficit do ano passado foi de R$ 182 bilhões, vai ficar para outro momento, sem que o mercado veja nisso o fim do mundo.
Com projeções de crescimento para 2018 e 2019 melhorando, sinalizando altas do PIB de 2,8% 3,0%, esse déficit tende a se reduzir, melhorando a trajetória do endividamento público. Ocorre, porém, que a nota de crédito do Brasil continuará a se ressentir da falta de solução para o “problema da previdência”. Essa questão será pautada no próximo governo, que será empossa daqui a apenas dez meses.